Notícias

Expansão sem limites

Valor On-line

Há uma década o uso de cartões como meio de pagamentos no Brasil cresce a um ritmo de 23% ao ano, resultando no faturamento de R$ 670 bilhões em 2011, somadas as transações de crédito, débito e com os plásticos de redes varejistas. Apesar do forte crescimento, apenas 26,8% do consumo das famílias brasileiras são pagos com cartões. O dinheiro responde por 50% dos desembolsos e o restante é pago com cheque e boleto bancário.

Nos Estados Unidos e Canadá a taxa de uso dos cartões é de 50% e na França, de 56%. Para Claudio Yamaguti, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a comparação internacional demonstra o potencial de crescimento do mercado no país. "Nos próximos anos, o cartão vai se tornar o principal meio de pagamento do brasileiro", diz.

Nas projeções da Abecs, o aumento da receita neste ano será de 20%, para R$ 805,4 bilhões. Em 2017, quando responderá por mais de 40% das transações, os cartões deverão movimentar R$ 1,85 trilhão e, em 2022, R$ 3,3 trilhões (52% dos pagamentos privados no país). O uso dos plásticos para crédito deverá avançar de R$ 465 bilhões em 2012 para R$ 1,08 trilhão em 2017 e quase R$ 2 trilhões em 2022.

Segundo Yamaguti, vários fatores contribuem para a confirmação dessas projeções, como a expansão do contingente de estabelecimentos que aceitam cartões, hoje estimado em 2 milhões. Entram em cena pequenos comerciantes, estimulados pela formalização dos negócios, e quem vende pela internet.

A mais promissora frente de negócios para os cartões é o setor de serviços. É cada vez mais comum o uso para pagar cinema, teatro, estacionamento, cabeleireiro, agência de viagem e taxistas, mas ainda há nichos inexplorados "O uso de cartões é incipiente em escolas, condomínios, consultórios médicos e dentários", diz Rubén Osta, diretor-geral da Visa no Brasil

Novos produtos financeiros também ajudam a propagar o uso de cartões. A Visa, por exemplo, desenvolveu nos últimos anos cartões para empresas agrícolas e de transportes. Mas a principal aposta são os pré-pagos. Inicialmente desenvolvidos para o viajante internacional carregar o cartão em seu país e o usar para efetuar pagamento em seus destinos, o pré-pago passou a fazer parte das estratégias de expansão das empresas do setor, que agora o oferecem também ao público sem acesso a contas bancárias. Estudo do Boston Consulting Group realizado a pedido da Mastercard aponta que o pré-pago no Brasil tem potencial para faturar US$ 67,6 bilhões em 2017.

A incorporação de novas tecnologias, como o pagamento pelo celular, é uma nova fronteira. Gilberto Caldart, presidente da Mastercard para o Brasil e Cone Sul, relata que desenvolve duas estratégias de negócios. Uma para o consumidor que tem smartphone, um meio de comércio eletrônico, e outra, em parceria com a Vivo, para celulares comuns, que substituirão o cartão em pagamentos no comércio, em transferências de recursos e nas recargas de telefone. "O consumidor quer meios de pagamentos seguros, práticos e fáceis de usar", diz.

Apesar das boas perspectivas, o negócio de cartões ainda precisa superar desafios. Um deles é a percepção de alto custo nas transações por parte dos comerciantes e prestadores de serviços. Pesquisa da Datafolha realizada sob encomenda da Abecs em 2011 mostrou que 53% dos comerciantes não acreditam que aceitar cartão aumente o volume de vendas a ponto de compensar o pagamento das taxas (entre 1,5% e 4% da compra).

Para Jair Scalco, presidente da Elo, os comerciantes não avaliam bem a relação custo-benefício. Os pagamentos eletrônicos facilitam a venda por impulso, aumentam o controle do caixa e reduzem roubos nas lojas. "Quanto custa a insegurança que a posse do dinheiro acarreta?", indaga o executivo.

Yamaguti diz que as tarifas estão em queda desde 2010, quando entrou em vigor a nova regulamentação por meio da qual uma só máquina de captura (POS, ponto de venda, na sigla em inglês) pode aceitar várias bandeiras de cartão. "Antes o comerciante precisava ter várias máquinas, o que aumentava o custo. Além disso, a abertura de mercado possibilitou um aumento de concorrência, o que gerou uma redução de mais de 30% nas tarifas", diz.

Outro desafio diz respeito às taxas de juros. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac), a taxa no cartão de crédito é de 10,69% mensais (238,30% anuais). É o juro mais caro da economia brasileira.

Fernando Teles, diretor de cartão de crédito do Itaú Unibanco, informa que as instituições trabalham para tornar o produto mais competitivo. O Itaucard, por exemplo, lançou um sistema de barateamento do crédito para o consumidor que financia a compra antes do vencimento da fatura. "A meta é incentivar o uso consciente do crédito e reduzir riscos", diz.

De 2002 a 2011, o número de cartões em circulação no Brasil saltou de 183 milhões para 687 milhões de unidades, média de 3,5 cartões por brasileiro. Segundo a Abecs, 72,4% da população) possuíam algum tipo de plástico em 2011. Entre os consumidores com alto poder aquisitivo, a posse sobe para 88%, na classe média cai para 68% e entre a população de baixa renda, para 34%.

 

Topo
POS
TEF Fácil
Fale Conosco

home | empresa | pos | tef fácil | serviços | suporte | divulgação | notícias | fale conosco | contato
Rua São Tomé, 119 - 7°andar - Vila Olimpia
Fone: +55 11 2175 9500 - +55 11 4550 1450


skytef.skype

SkyTef - Todos os direitos reservados